Existe um caminho a ser percorrido para se ter certeza sobre já se ter atingido um resultado...
Há tempos venho ensaiando iniciar a atividade da escrita... do compartilhar-me através de minhas palavras...
Redundei em pensamentos de inaptidão... baixa-estima... e cá estou... tentando enfim sair disso que tenho ressignificado como uma pausa, o que para alguns seria um equivalente ao ano sabático... ano sabático para mim significa um mergulho dentro de si mesmo através da exposição intensamente forte ao contexto dos outros... lugares, pessoas, tudo... comecei essa trajetória aos 44 anos quando deparei-me com a trágica realidade de que não tinha mais nenhum interesse em continuar fazendo o que fazia profissionalmente... hoje sei isso era um resultado... que me saltou aos olhos nessa data mas que estava sendo germinado durante toda minha vida... Quando assisti ao filme Comer, Rezar e Amar (inúmeras vezes...) dei-me conta de que estava chegando esse momento de minha vida... Principalmente na frase em que a personagem dizia "eu preciso sentir isso de novo... por qualquer coisa...". O tempo passou... as verdades deixaram de ser... as palavras se desorganizaram e comecei a ter que lidar com um eu que, definitivamente não conhecia... Incontáveis vezes, senti-me vivendo num estado que chamo "saindo de um coma"... nada me parecia familiar... não existia querer para nada daquilo... redundante dizer que vivi muito do que vi em filmes como o que citei... e noutros que desenvolvem temas como Conversando com Deus... As Cinco Pessoas que Você Encontra No Céu... O Contador de Histórias... O fato, é que rejeitei a ideia da evolução pois pensei que isso implicaria em ter que aceitar algumas das coisas que abominava... Caminhei, desorientada e só (não existe outra maneira de fazê-lo) nos meus recônditos, e, exausta fui aos poucos percebendo que estava insistindo num fim que não existe... Querendo respostas que não podem ser senão pelo sentir... Esperando dos outros o que só aconteceria em mim própria... Então, começou ainda não sei ao certo quando, isso que agora estou chamando de contato com minha própria essência... era um discurso frequente em minha atividade profissional... hoje é parte de mim... Para o outro era diferente... fazia um sentido mas não era o meu sentido... Agora, estou diante de uma escolha que exige que vá me arranjando pelo caminho que o Agora for trazendo... Muito do que oferecia as pessoas no momento da minha atuação profissional hoje sinto como parte de mim... a essencial parte de mim... Agora, sinto que a verdade está se manifestando, ainda timidamente, mas está aqui... As palavras começaram a se organizar, e, estou começando a crer que chegou a hora de dizer minhas palavras... Ainda que não tenha plena clareza sobre o que querem dizer...
... O significado mais importante de nossa vida pode ser aquele que só alcançamos no último instante... no momento tal da transição onde, enfim, sabemos para onde vamos quando nos desconectarmos do corpo físico... Muitas vezes, imaginei esse momento como um sonho onde transitamos de um lugar ao outro numa deliciosa velocidade... o que nos permite o livramento de sentimentos ruins e a indizível sensação de leveza que só a alegria proporciona... Mas, esse processo permeia nossa existência... quando dei-me conta de que estava diante de um resultado percebi que tinha ido e vindo do passado inúmeras vezes... cada vez com mais distância dos fatos e das emoções que causaram... Mas, cada vez em que fui lá não pude deixar de interferir com aquilo que já sabia ter acontecido depois dos fatos... das emoções... Como nos filmes Efeito Borboleta... Isso foi demarcando a mudança mesmo que não me desce conta disso... Claro o mergulho em mim é solitário ninguém mais pode fazê-lo com a mesma inteireza que eu... Todavia, isso não esteve desconectado da vida, das pessoas, dos lugares, dos sentimentos que vivi... Emaranhados fizemos o percurso ao âmago do meu ser... Embora, claro, só eu possa ter o privilégio de dizer o que está aqui... E, como na explosão de um átomo que ao invés de morrer está se multiplicando, percebo que estou renascendo para um devir que não mais me causa medo...